A polêmica da ingestão de óleos essenciais

ingestão de óleos essenciais

Existem informações diversas sobre a aromaterapia e as formas de uso dos óleos essenciais, principalmente em relação à possibilidade de ingestão de óleos essenciais. Encontra-se facilmente a informação que óleos essenciais não podem ser ingeridos de forma alguma. Mas na verdade a aromatologia estuda o uso destes como medicamentos, através de estudos e pesquisas científicas sérias, realizadas por profissionais qualificados.

 

Ingerir óleos essenciais é perigoso?

A ingestão de óleos essenciais não é indicada para pessoas sem conhecimento profundo em aromaterapia. É necessário conhecimento sobre dosagens adequadas, período de tratamento, janela terapêutica, toxicidade dos óleos essenciais. Como citei no texto sobre aromaterapia e aromatologia, na França o curso de formação de aromaterapia é uma graduação direcionada a médicos e outros profissionais da área de saúde.

Além dos componentes tóxicos que alguns óleos essenciais apresentam, outros diversos fatores devem ser levados em consideração para a ingestão. Outros medicamentos que a pessoa ingere, consumo de álcool e outras drogas, gestação, amamentação, alterações na tireoide, câncer, doenças auto-imunes, problemas de rins e fígado, pressão alta, entre outros, devem ser observados. Existem cuidados na escolha dos óleos a serem utilizados e na dosagem, assim como as contra-indicações para cada caso.

Deve haver também mais preocupação com a a pureza, procedência e validade dos óleos usados para ingestão. As doses são bem pequenas, devido a alta concentração dos óleos essenciais puros. Os casos devem ser vistos de forma individual, uma vez que a ingestão coloca o óleo essencial em contato com a mucosa do aparelho digestivo, que é um tecido sensível e pode apresentar reações indesejadas.

 

Óleos essenciais são medicamentos?

Cito aqui dois casos de óleos essenciais que já são usados como medicamentos através da ingestão e comercializados pela indústria farmacêutica.

O Silexan® é um medicamento desenvolvido na Alemanha, que tem como único princípio ativo o óleo essencial de lavanda. A composição de cada cápsula varia de 80 mg ou 160 mg de OE de lavanda (lavandula angustifolia), contendo como principais constituintes o linalol e o acetato de linalila. As pesquisas para o desenvolvimento do produto comprovaram a eficiência do seu uso como ansiolítico, para casos de desordem de ansiedade generalizada. E também que seus efeitos são similares do medicamento alopático Lorazepam. Veja informações sobre essa e outras pesquisas nesse post da Laszlo.

Isso significa uma excelente alternativa aos que usam ansiolíticos e antidepressivos que causam efeitos colaterais indesejados, como dependência e síndrome de abstinência. E indica também o uso da lavanda como possibilidade de tratamento paralelo de suporte ao desmame de medicamentos desse gênero, caso seja desejo do paciente interromper o uso da medicação. Vale ressaltar que deve haver sempre o acompanhamento médico adequado.

No Brasil temos como exemplo o medicamento Mentaliv. São cápsulas contendo óleo essencial de hortelã pimenta (mentha piperita), para ingestão e tratamento da síndrome do intestino irritável e outras desordens do sistema digestivo. Confira aqui a bula.

 

A complexidade química dos óleos essenciais

Um medicamento farmacêutico possui um ou alguns poucos componentes, já os óleos essenciais possuem de 50 até 450 substâncias diferentes em sinergia. Em um óleo essencial geralmente existe de 1 a 5 substâncias em maior quantidade, e inúmeras outras em pequenas quantidades percentuais ou somente em traços (não identificáveis percentualmente). É a complexidade química da sinergia de diversos componentes que faz com que os óleos essenciais tenham, em muitos casos, efeito melhor do que alguns medicamentos alopáticos.

Um exemplo interessante nesse sentido é a ação do óleo de tea tree (melaleuca alternifolia) em super bactérias. Elas criam rapidamente resistência a medicamentos convencionais, a ponto das indústrias farmacêuticas estarem retirando seus investimentos em novos antibióticos, pois estes tem parado de fazer efeito muito rapidamente. Já ao óleo essencial de tea tree elas não criam resistência.

 

Concluindo…

Ingerir óleo essencial é perigoso? Sim, se for feito por alguém sem conhecimento, como automedicação. Então o recado é esse! A ingestão de óleos essenciais existe e pode ser feita. Só não deve ser feita sem a orientação e acompanhamento de um profissional qualificado para tal.

Vale lembrar também que o uso indiscriminado de medicamentos convencionais também causa danos. Inclusive doses excessivas de alguns medicamentos matam mais do que o consumo de drogas ilegais. O uso prolongado de alguns medicamentos pode prejudicar estômago, rins e fígado. Outros apresentam efeitos colaterais graves, como perda da visão ou trombose. Além disso, a automedicação é a maior causa de intoxicação.

Os óleos essenciais são uma solução natural e mais eficaz para diversas doenças que estão minando a saúde de muitas pessoas hoje em dia. Não importa a gravidade da doença, a aromaterapia sempre pode ser um importante suporte.

 

Mari Moraes
Meu nome é Mariane Moraes, mas pode me chamar só de Mari. Tenho 37 anos e sou mãe da Serena. A algum tempo busco opções naturais para uma vida com mais saúde e bem estar, e quero compartilhar aqui com vocês algumas coisas legais que descobri nesse caminho. Tenho cursos e formações em aromaterapia, terapia floral, cosmética natural, ginecologia natural, doula, educadora perinatal. Também sou aprendiz de Theta Healing, estudo o sagrado feminino e a ginecologia natural. Fui produtora e gestora cultural por 12 anos. Sou pesquisadora e brincante das culturas populares tradicionais brasileiras. Feminista, sensível aos direitos humanos e das minorias. Contra qualquer discriminação ou discurso de ódio. A favor do acolhimento e da sororidade. Sempre buscando vibrar positividade e gratidão. Co-criadora e responsável pelos meus caminhos. Sou carioca, passei a minha infância em Miracema - interior do Estado do Rio, e hoje Moro em Macaé – RJ. Seja bem vind@!